Preço de fretamento
Fechar o preço de um fretamento não é multiplicar quilômetro por um valor. São cinco peças, e elas se encaixam na mesma ordem em toda empresa que roda com ônibus próprio.
As cinco peças
É o piso do dia, e ela muda por tipo de veículo: a diária de uma van não é a de um double decker. Quem tem uma diária só para a frota inteira está perdendo dinheiro no carro grande ou perdendo serviço no pequeno.
Quase toda empresa inclui uma quilometragem na diária, e só começa a cobrar km depois dela. Cem quilômetros é o número mais comum. Sem esse limite escrito, o transfer de vinte quilômetros sai pelo mesmo preço que o de noventa.
É aqui que a conta escapa, e o motivo principal é esquecer de medir: o hodômetro na saída e na chegada não é burocracia, é a única prova de que o cliente rodou mais do que contratou.
Quanto cobrar por esse km varia de empresa para empresa, e é decisão da casa. É comum cobrar um pouco acima do km normal, pela quilometragem que sai da rota planejada, mas não é regra: tem empresa que usa o mesmo valor e resolve no preço da diária.
Motorista dormindo fora tem hospedagem, alimentação e a jornada da Lei 13.103 correndo. Ele entra por noite, e não por dia, e é o item que mais aparece esquecido em orçamento de excursão.
Ônibus paga por eixo, e a categoria muda por veículo. Rodar a rota no mapa como carro de passeio e usar aquele valor é o caminho mais rápido de ficar com o prejuízo de uma praça inteira.
O piso
Abaixo de um certo valor o serviço não paga o dia do carro, por menor que seja a viagem. Esse mínimo não sai de conta nenhuma: ele sai de quanto custa manter o ônibus parado.
É a única linha que impede fechar por um preço que dá prejuízo com cara de movimento.
Até o km incluso: o mínimo da casa, mais o pernoite.
Passando dele: a diária do veículo, mais o que passou do km incluso vezes o valor do km, mais o pernoite.
Um exemplo com números redondos, que não são de ninguém: uma diária de dois mil, km incluso de cem, valor do km a dez reais e duas noites a mil e quinhentos. Uma viagem de trezentos quilômetros fecha em dois mil, mais duzentos quilômetros vezes dez, mais três mil de pernoite. Sete mil. O pedágio entra por fora quando a empresa cobra dele.
A outra escola
A conta de cima é tabela comercial: você tem um preço e o cliente aceita ou não. A outra escola monta o custo real do serviço e põe a margem por cima: diesel pelo consumo do carro, custo de manutenção por quilômetro, pedágio, diária do motorista, pernoite, uma contingência para o imprevisto, e só então a margem.
As duas funcionam, e a maioria das empresas usa a primeira para responder rápido e a segunda para conferir se a primeira ainda faz sentido. O erro é nunca fazer a segunda: a tabela envelhece com o diesel e ninguém percebe.
O que é difícil não é a conta
Nenhum desses é erro de conta. São erros de memória, e é por isso que eles voltam todo mês.
Como a QG faz
A diária de cada tipo de veículo, o km incluso, o valor do km excedente, o pernoite e o mínimo da casa ficam salvos uma vez. Todo orçamento novo começa com eles.
Você aponta qual linha está errada, em vez de dizer que o total não bateu. É assim que a tabela se corrige em vez de ser abandonada.
A origem e o destino calculam a rota para veículo pesado, com o pedágio por eixo na categoria ônibus. Ninguém digita quilometragem de mapa de carro de passeio.
O orçamento vira proposta com um link, o cliente aceita pelo celular, e o mês fecha com o que passou do combinado já dentro.
O que perguntam junto
São cinco: a diária do veículo, a quilometragem que já vai dentro dela, o km que passou do combinado, o pernoite do motorista e o pedágio. Acima de todas existe o mínimo da casa, que é o piso abaixo do qual o serviço não paga o dia do carro.
Varia de empresa para empresa, e é decisão da casa. É comum cobrar um pouco acima do km normal, pela quilometragem que sai da rota planejada, mas não é regra: tem empresa que usa o mesmo valor e resolve no preço da diária. O que não pode faltar é a medição: o hodômetro na saída e na chegada é a única prova de que o cliente rodou mais do que contratou.
Pode, e é onde se perde dinheiro. A diária de uma van não é a de um double decker: com um valor só para a frota inteira, ou o carro grande sai barato demais, ou o pequeno sai caro e perde o serviço.
Ônibus paga pedágio por eixo, e a categoria muda conforme o veículo. Rodar a rota no mapa como carro de passeio e usar aquele valor é o caminho mais rápido de ficar com o prejuízo de uma praça inteira.
As duas funcionam, e a maioria das empresas usa a tabela para responder rápido e a montagem de custo para conferir se a tabela ainda faz sentido. O erro é nunca fazer a segunda: a tabela envelhece com o diesel e ninguém percebe.
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